segunda-feira, 18 de junho de 2012

Portugal - país à beira mar plantado



Dedos enferrujados, cabeça perdida e sensação de insatisfação. São muitas as questões que se levantam a cada dia que passa, muitas as dúvidas, incertezas e, acima de tudo, medo do futuro, medo do que está para vir, que, tenho quase a certeza, não será mais fácil do que o presente.
É olhar para o lado, para os vizinhos, para os amigos, colegas ou simples desconhecidos, a meio da tarde, num qualquer café, ou simplesmente, na rua, para se perceber que a condição em que se encontram é certamente a mesma – desemprego. E o pior, é que, da forma como as coisas se têm desenrolado, o futuro não se afigura nada promissor.
A cada dia que passa que sinto mais medo e, ao mesmo tempo, mais vontade de arriscar, mais vontade de seguir o conselho do nosso primeiro-ministro (arrumar as trouxinhas e ir à aventura). Mas para isso, também é preciso coragem – coragem essa que ainda não arranjei, que ainda não quis arranjar e que, no fundo, não queria ter porque, lá no fundo (bem no fundo, é certo), penso que o nosso país ainda tem pernas para andar. Não falta gente inteligente, pessoas com vontade de vencer, de arriscar, com ideias de negócio, com potencial, com capacidade. Pessoas que precisam apenas de quem lhes dê a mão.
Penso que se, de uma vez por todas, em vez de se pensar tanto em contas, em pagar dividas (que, atenção, têm de ser pagas), devia pensar-se em formas de criar riqueza, de potenciar o que de melhor o nosso país tem e, depois, com tudo isso encaminhado, então, aí sim, pagar o que se deve, devolver a dignidade de um país, que um dia, bem lá longe, conseguiu ser grande e dominar.
Enquanto se pensar pequenino, enquanto não houver espirito de iniciativa, o desemprego vai continuar a aumentar, o PIB a baixar, os portugueses a “fugir” do país que os viu nascer e o país a degradar-se e a perder-se num mundo onde quem não arrisca não petisca.
Por mais que potenciais investidores queiram arriscar, acabam por ser barrados por burocracias, por medo do que está para vir, por terem a sensação de cá estar tudo perdido. Mas será que cá está tudo perdido?
Será que não temos mais nada para dar ao país e ao mundo?
Será que já não somos inteligentes, que já não temos a capacidade de tempos idos?
Num país de Camões, de Pessoa, de Gil Vicente, de Eça, Bocage e de tantos outros, o que é que correu mal, em que é que falhamos (se é que falhamos)?
Vamos pegar nesses nomes e juntar os nossos, vamos fazer deste um país reconhecido, vamos mostrar ao mundo que este pequeno país à beira mar plantado tem muito para oferecer, tem muito para mostrar àqueles outros países que vivem do nosso trabalho, do nosso dinheiro e ainda se vangloriam quando é para dizer que nos estão a ajudar…

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